Riscos e Consequências da Automedicação em Idosos

Uma das coisas mais comuns é encontrar alguém quem tome remédio para dor de cabeça ou gripe, comprados por conta própria na farmácia, sem receita médica. Esses medicamentos comuns, como antitérmicos e antigripais, entre outros, costumam ficar próximos ao balcão de pagamento ou dos farmacêuticos, onde o acesso é livre. Essa facilidade ajuda a justificar a cada 10 brasileiros, quase 8 se automediquem. Se engana quem pensa que tomar um remedinho de vez em quando, sem indicação médica, não faça mal. Cerca de 20 mil pessoas morrem ao ano no Brasil, devido a automedicação ou má administração do remédio.

A automedicação em idosos é ainda mais perigosa. Um remédio age de formas diversas em cada fase da vida. Perigosa em qualquer idade, a automedicação nos idosos é pior, podendo trazer inúmeras consequências, como reações alérgicas, dependência e até mesmo a morte. O uso de medicação sem prescrição médica adequada, poderá determinar um mascaramento do quadro clínico de uma doença grave, levando o indivíduo a se acomodar e não buscar esclarecer o motivo dos sintomas, causando um diagnóstico equivocado ou tardio, com consequências negativas para o idoso.

Geralmente, os pacientes idosos apresentam um organismo mais fragilizado e com mais de uma doença ao mesmo tempo. Por isso, é muito comum já fazerem uso de diversos medicamentos. Incluir na medicação um remédio que não tenha sido prescrito por um médico é bastante arriscado, mesmo que seja para uma simples alergia ou dor de cabeça, pois pode haver interação medicamentosa, trazendo consequências indesejáveis.

Outra questão, no organismo do idoso há diminuição funcional do fígado e rins, que são os principais órgãos do metabolismo e eliminação de substâncias. Numa pessoa idosa, os medicamentos podem agir de forma diferente, permanecendo no organismo por mais tempo, podendo causar sérios problemas. Por exemplo, um medicamento pode interferir no tratamento de uma doença, alterando o efeito de um outro medicamento utilizado. Um analgésico pode reduzir o efeito de um outro medicamento usado para pressão alta ou diabetes, colocando o idoso em risco.

É necessário acompanhamento médico para acompanhar os resultados das medicações. Com a idade, um remédio pode perder a eficácia ou provocar problemas que não aconteciam antes. Um remédio para dor de estômago pode reduzir a absorção de ferro e cálcio, causando anemia e osteoporose no idoso. Um antigripal pode causar arritmia cardíaca e aumentar o risco de quedas de idosos, pois um antialérgico comum pode causar sonolência no idoso.

Outro problema dessa cultura da automedicação, é que de tão natural, o idoso pode esquecer de listar algum medicamento tomado para seu médico, causando dificuldade num diagnóstico e atrasando um tratamento. Muitos sintomas podem ser ignorados devido ao uso de alguns medicamentos. Por isso, nunca deixe de informar ao médico do idoso sobre qualquer medicamento tomado por conta própria. E, diante de sintoma ou reação inesperados após o uso de algum remédio por conta própria, procure ajuda imediatamente. A automedicação em idosos ou incorreta administração dos medicamentos pode diminuir a eficácia ou cura para uma doença, podendo ocasionar até mesmo o óbito.